
Apartamento Lisboa
- Concluído,
- 2026
- Jardins, São Paulo/SP, Brasil
- Categoria Arquitetura de interiores, Reforma
- Área 100 m²
Autor Raphael Wittmann
Colaboradores Giovanna Araujo, Tales Mazzoni, Giulianna Macedo
Gerenciamento RAWI Arquitetura
Fotógrafia Rafael Renzo

O Apartamento Lisboa começa por um círculo. Não pela planta ou pela metragem, mas por uma janela redonda aberta numa parede interna, que não olha para fora e sim para dentro. Nos 100 m² deste apartamento nos Jardins, essa figura se repete e funciona como referência constante para todas as decisões do projeto.




Mais do que uma reforma, a intervenção reorganiza a casa em torno de duas rotinas da moradora, a prática de ioga e o cozinhar. A arquitetura trabalha por subtração, abrindo passagem onde havia vedação, de modo que a luz de um ambiente sirva ao outro e os limites se tornem porosos.

O apartamento está uma delícia. É muito gostoso estar em um lugar que eu idealizei desde o início. Faz muito bem acordar em um lugar bonito e, ao mesmo tempo, aconchegante. Faz bem para a alma.

Sobre esse vazio quase etéreo pousam poucas formas firmes. A cor aparece como volume e não como superfície: lavabo e suíte são resolvidos em monobloco rosa, contínuo do rodapé ao teto. Concreto esculpido, pastilhas verticais em azul acinzentado e madeira em desenho miúdo constroem a textura, sobre o taco em espinha de peixe preservado. A remoção das vedações expôs a estrutura em concreto, que passa a contar a história.



A reorganização da planta buscou ampliar o uso sem ampliar a área. Cozinha e lavanderia se fundiram em um único ambiente com ilha em quartzo, e as vedações entre cozinha e sala foram removidas. A segunda porta de entrada deu lugar a uma cristaleira em vidro minicanelado, a antiga dependência de serviço se tornou lavanderia com despensa, enquanto que o terceiro dormitório tornou-se closet e escritório integrados à suíte.


O Apartamento Lisboa é um projeto sobre luz emprestada. Sobre a escolha de abrir por dentro quando não há paisagem a emoldurar, permitindo que os ambientes se atravessem de forma sensível e poética.



